Acupuntura no cuidado pós-COVID: abordagem clínica para sintomas persistentes

Como a acupuntura pode auxiliar na recuperação funcional de pacientes com complicações após a infecção por COVID-19

Após a fase aguda da COVID-19, muitos pacientes desenvolvem um conjunto de sintomas persistentes que afetam a função respiratória, a energia vital, o estado emocional, a cognição e o sistema digestivo. Esse quadro, frequentemente denominado “condição pós-COVID”, possui mecanismos multifatoriais e impacto significativo na qualidade de vida. Este artigo apresenta evidências e fundamentos clínicos que indicam a acupuntura como uma abordagem complementar segura e eficaz no manejo desses sintomas, com taxas relevantes de melhora e sem efeitos colaterais significativos.

Desde o início da pandemia, a atenção global esteve voltada para o enfrentamento da fase aguda da infecção por COVID-19. No entanto, à medida que os pacientes se recuperam da infecção viral, tornou-se evidente a presença de sintomas persistentes, mesmo semanas após a negativação dos exames.

Essas manifestações fazem parte do que hoje se denomina condição pós-COVID, caracterizada por alterações funcionais sistêmicas, muitas vezes sem correlação direta com achados laboratoriais graves.

Entre os sintomas mais frequentemente relatados, destacam-se:

  • Tosse seca persistente e irritação na garganta
  • Fadiga extrema e redução da tolerância ao esforço
  • Comprometimento pulmonar residual
  • Ansiedade, depressão e distúrbios do sono
  • Alterações cognitivas, como déficit de memória e dificuldade de concentração
  • Sintomas digestivos, incluindo distensão abdominal, náusea, vômitos e alterações do hábito intestinal

A acupuntura tem sido utilizada como terapia complementar nesse contexto, com bons resultados clínicos e excelente perfil de segurança.

Tosse persistente pós-COVID

A tosse residual após a infecção é uma das queixas mais comuns. Os pacientes descrevem tosse seca, sensação de irritação na garganta e produção escassa de secreção clara.

Estudos observacionais indicam que a acupuntura apresenta taxas de melhora próximas a 90%, sem efeitos adversos relevantes. Em protocolos comparativos, pacientes tratados com acupuntura apresentaram resultados superiores aos obtidos apenas com medicação sintomática, cuja taxa de sucesso foi estimada em torno de 70%.

Fadiga extrema pós-COVID

A fadiga persistente está associada à depleção energética global, possivelmente relacionada à disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal após a infecção.

Do ponto de vista da Medicina Chinesa, esse quadro é compreendido como deficiência de Qi, frequentemente envolvendo Pulmão, Baço e Rim.

Protocolos de acupuntura aplicados por ciclos curtos (5 dias consecutivos) demonstraram melhora significativa da fadiga em cerca de 80% dos pacientes, geralmente dentro de uma a duas semanas.

Comprometimento pulmonar residual

Pacientes com doença pulmonar pós-COVID frequentemente apresentam sintomas semelhantes à doença pulmonar obstrutiva crônica, em decorrência de lesões no parênquima pulmonar causadas pela pneumonite viral.

A associação de acupuntura e moxabustão tem como objetivo estimular os mecanismos de autorregulação do organismo, melhorar a ventilação pulmonar e favorecer a recuperação funcional.

Alterações emocionais e do sono

Ansiedade, depressão e insônia são extremamente prevalentes após a COVID-19, tanto pela ação direta da infecção quanto pelo impacto psicológico do adoecimento.

O estímulo de pontos específicos por meio da acupuntura está associado à modulação de neurotransmissores como serotonina e melatonina, contribuindo para a melhora do humor, da ansiedade e da qualidade do sono.

Comprometimento cognitivo pós-COVID

Alguns pacientes, especialmente aqueles que passaram por internação prolongada ou UTI, apresentam déficits cognitivos persistentes, incluindo dificuldade de memória, atenção e foco.

Essas alterações podem estar relacionadas a processos inflamatórios sistêmicos e alterações na microcirculação cerebral. Estudos recentes indicam que protocolos de acupuntura realizados por quatro semanas, com sessões frequentes, promovem melhora da função cognitiva e da clareza mental.

Sintomas digestivos persistentes

Náusea, vômitos, distensão abdominal e alterações do trânsito intestinal são comuns após a COVID-19. Do ponto de vista da Medicina Chinesa, esses sintomas refletem desequilíbrios envolvendo Baço, Estômago e Fígado.

A acupuntura atua regulando o peristaltismo gastrointestinal:

  • estimulando quando há hipomotilidade
  • reduzindo quando há hiperatividade

Protocolos de três sessões semanais por quatro semanas demonstraram melhora clínica em 70% a 80% dos pacientes.

Considerações finais

A acupuntura mostra-se uma abordagem segura, bem tolerada e eficaz no manejo de múltiplos sintomas da condição pós-COVID. Embora não substitua tratamentos médicos convencionais quando indicados, seu uso como terapia complementar pode acelerar a recuperação funcional e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Referência

Daily (https://www.dailyo.in/variety/acupuncture-covid-19-treatment/story/1/33653.html)

Sobre o artigo

Esse artigo foi escrito por Ana Tanganeli (@anatanganeli), coordenadora do Aprendiz, profissional da Medicina Chinesa e mestranda em Engenharia Biomédica (UFABC) com pesquisa na área de laseracupuntura. Tem mais de 20 anos de experiência em docência e é especialista em epistemologia, didática e tecnologias de ensino. Oferece programa de mentoria, preparatório para provas e diversos cursos de aprimoramento.

Quem escreveu: Ana Regina Tanganeli

É professora e coordenadora do Aprendiz de Medicina Chinesa. É profissional da Medicina Chinesa com formação em Acupuntura, Fitoterapia, Dietoterapia, Tuiná e Medicina Chinesa Clássica e especializada em Pediatria. Também é mestranda em Engenharia Biomédica (UFABC) com pesquisa na área de laseracupuntura. Tem mais de 20 anos de experiência em docência e é especialista em epistemologia, didática e tecnologias de ensino. (@anatanganeli)

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